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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Entenda como funciona a nota do Enem

Muitas vezes com o resultado em mãos, as dúvidas começam: como funciona a nota do Enem?

Cada candidato poderá acessar apenas o seu resultado na prova, isso porque para entrar no boletim individual é preciso informar o nome completo, o CPF e a senha.

Uma vez dentro do resultado, o estudante terá acesso a cinco notas diferentes: de Ciências Humanas, de Ciências da Natureza , de Matemática, de Linguagens e Códigos e da redação.




As notas de cada área variam de 0 a 1.000 pontos. A partir do desempenho dos participantes, o Inep constrói uma escala de notas máximas e mínimas que permite ao aluno comparar seu desempenho com o dos demais estudantes. A escala será divulgada posteriormente pelo instituto. Mas, em 2010, por exemplo, as notas máximas dos candidatos foram: Matemática 973,2 pontos; Ciências Humanas 883,7 pontos; Ciências da Natureza 844,7 pontos; e Linguagens e Códigos 810,1 pontos.

Atenção! Para os estudantes que vão se inscrever no ProUni, a nota final do Enem é a média das cinco notas. Já para quem vai se inscrever em uma universidade pelo Sisu, as notas finais variam de acordo com a instituição, pois há faculdades que podem dar peso diferentes a cada uma das notas, dependendo do perfil do curso. Por exemplo, um curso de Biologia pode dar mais peso à nota da prova de Ciências da Natureza. 

Como o Inep chega à nota de cada área?
Essa nota é calculada pelo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo estatístico que permite que diferentes edições da prova sejam comparáveis. Veja como funciona:
- Para o cálculo da nota, leva-se em conta não apenas o número de acertos do candidato, mas também o nível de dificuldade de cada item. As perguntas são divididas previamente em grupos: fáceis, médias e difíceis. Elas estão misturadas ao longo da prova e não estão sinalizadas, o estudante não sabe qual questão pertence a qual grupo.
- Através de estatísticas e teorias matemáticas, a TRI analisa as respostas do aluno: se constata que ele errou muitas perguntas da categoria "fácil" e acertou muitas perguntas da categoria "difícil", considera o fato estatisticamente improvável e deduz que ele chutou.
- Assim, a média do aluno que chutou cai. No final, a nota não depende apenas do valor absoluto de acertos. Depende também da dificuldade das questões que se acertou ou errou.
Para o Enem, o objetivo da TRI é evitar que o candidato consiga se valer do fator sorte na hora de responder as questões. Assim reforça-se a cultura de que o importante é uma boa preparação para a prova, uma leitura calma e concentrada das questões e uma reflexão consistente na hora de respondê-las. Chute não tem lugar.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Por que esta redação tirou nota mil no Enem?

A especialista Andrea Ramal comenta em detalhes por que a redação do candidato João Pedro Maciel Schlaepfer mereceu uma nota mil no Enem 2014 – que teve como tema a publicidade infantil.

Leia a íntegra da redação abaixo (em itálico) e, na sequência, o comentário:
"Quem Sabe o que É Melhor para Ela?

Desde o final de 1991, com a extinção da antiga União Soviética, o capitalismo predomina como sistema econômico. Diante disso, os variados ramos industriais pesquisam e desenvolvem novas formas e produtos que atinjam os mais variados nichos de mercado. Esse alcance, contudo, preocupa as famílias e o Estado quando se analisa a publicidade voltada às crianças em contraponto à capacidade de absorção crítica das propagandas por parte desse público-alvo.

Por ser na infância que se apreende maior quantidade de informações, a eficiência da divulgação de um bem é maior. O interesse infantil a determinados produtos é aumentado pela afirmação do desejo em meios de comunicação, sobretudo ao se articular ao anúncio algum personagem conhecido. Assim, a ânsia consumista dos mais jovens é expandida.

Além disso, o nível de criticidade em relação à propaganda é extremamente baixo. Isso se deve ao fato de estarem em fase de composição da personalidade, que é pautada nas experiências vividas e, geralmente, espelhada em um grupo de adultos-exemplo. Dessa forma, o jovem fica suscetível a aceitar como positivo quase tudo o que lhe é oferecido, sem necessariamente avaliar se é algo realmente imprescindível.

Com base nisso, o governo federal pode determinar um limite, desassociando personagens e figuras conhecidas aos comerciais, sejam televisivos, radiofônicos, por meios impressos ou quaisquer outras possibilidades. A família, por outro lado, tem o dever de acompanhar e instruir os mais novos em como administrar seus desejos, viabilizando alguns e proibindo outros.

Nesse sentido, torna-se evidente, portanto, a importância do acessoria parental e organização do Estado frente a essa questão. Não se pode atuar com descaso, tampouco ser extremista. A criança sabe o que é melhor para ela? Talvez saiba, talvez não. Até que se descubra (com sua criticidade amadurecida), cabe às entidades superiores auxiliá-la nesse trajeto."


Análise da redação, por Andrea Ramal
Como você verá, o candidato já começa bem: o título do texto é instigante, pois desperta a curiosidade do leitor: de quem se fala? Além disso, sutilmente coloca a questão que irá discutir ao longo do texto.

No parágrafo de introdução, o autor situa o tema no contexto. Em vez de usar um “chavão”, como por exemplo: “Desde os tempos mais remotos”, ele localiza o que vai citar no tempo e no espaço. Demonstra conhecimento histórico, pois se refere à dissolução da União Soviética e às relações disso com o capitalismo. Apresenta o contraponto que irá discutir: se por um lado o mercado precisa crescer, por outro, a publicidade voltada ao público infantil preocupa famílias e Estado.

Em seguida, o candidato mostra o risco da publicidade dirigida às crianças, com três argumentos: é na infância que se apreendem mais informações; os meios de comunicação atiçam o desejo por produtos; as propagandas articulam produtos a personagens infantis.

Depois, ele reforça a argumentação já exposta, por exemplo afirmando que a capacidade crítica da criança ainda é baixa, por ter vivido poucas experiências. Na última frase do desenvolvimento, já não há como não concordar com o autor na ideia de que a criança é uma vítima fácil da sociedade de consumo.

Para finalizar, o autor apresenta suas propostas de intervenção social: para ele, o governo federal deve colocar limites na publicidade infantil em todos os meios em que ela acontece; e a família deve cuidar da educação dos desejos e colocar limites nos anseios consumistas desde cedo.

O último parágrafo funciona como reflexão final: como não é possível afirmar ao certo se a criança pode discernir sem ajuda dos adultos, o mais indicado é mesmo protegê-la e ajudá-la a conquistar sua autonomia. Com isso o autor dá sentido ao título, que perguntava “quem sabe o que é melhor para ela?”.

Note que o texto tem pequenos erros de português, mas eles foram relevados pelos avaliadores pois considerou-se que isso não atrapalhou a qualidade do texto, prevalecendo a nota máxima.

Fonte: G1